sábado, 25 de julho de 2009
Estranhos
Olham-se com um olhar doce e primitivo, que significa "desculpe". Mas não dizem.
Os estranhos se comunicam com o olhar. Afinal, palavras não cabem a desconhecidos. As palavras servem para os conhecidos demonstrarem o que os olhares não conseguem dizer por si só.
Quanto mais se conhece a pessoa, mais se usam as palavras. Os olhares se tornam estáticos ao passar do tempo.
O dos estranhos não. Os estranhos sempre se olham enfaticamente...
Numa liberdade confortante de ser quem são.
sábado, 11 de julho de 2009
Antiquada
Eu sou do tempo em que as crianças cantavam o hino nacional antes de entrarem na sala de aula, do tempo em que as pessoas se olhavam nos olhos e que ainda existia Rock n’ Roll. Hoje isso tudo virou antiguidade, nem importa mais... Os sentimentos estão pré-pagos... Pré-cozidos.
Nunca tentei me enquadrar nessa ridícula geração 2000, aonde a única coisa válida é a tecnologia. As pessoas estão frígidas e robóticas. Expelem líquidos negros. Tolos! Nem sabem eles que as máquinas não sonham...
Não sou tradicional, jamais, mas tem coisas que não mereciam ficar banais. A amizade ficou banal, a música ficou banal, a política ficou banal, o cu ficou banal. Não entendo o porquê de tantas fórmulas... Os números e as notícias me confundem... Melhor excitar-me com Jim Morrison, vale muito mais que se preocupar com o que todo mundo ouve, mas não entende... A sensibilidade entrou em extinção, faz tempo...
Sou antiquada, sou do tempo em que só as coisas banais eram banais.
